São José dos Campos começou a testar um projeto inovador que usa inteligência artificial para monitorar situações do dia a dia e reforçar os cuidados com a cidade. O sistema é capaz de identificar em tempo real cerca de 30 tipos de ocorrências: mato alto, rachaduras no asfalto, lâmpadas queimadas, pichação, faixas de pedestre apagadas e até descarte irregular de entulho.
A tecnologia foi acoplada em dois caminhões da coleta seletiva, que já circulam diariamente por todos os bairros. As câmeras instaladas nesses veículos registram as imagens e enviam para uma central de controle. Lá, a IA analisa os dados, aponta falhas e gera relatórios automáticos. Cada ocorrência recebe um número de identificação e segue direto para a secretaria municipal responsável pela solução.
Mais agilidade e menos burocracia
A promessa é reduzir a dependência de vistorias manuais e acelerar a manutenção urbana. O modelo busca garantir mais rapidez, precisão e eficiência, oferecendo à população ruas mais seguras, iluminação adequada e espaços públicos bem cuidados.
“A ideia é que problemas sejam detectados antes mesmo da população precisar reclamar, ganhando tempo e resolvendo mais rápido”, resumiu um técnico da prefeitura.
Tecnologia local no PIT
A solução foi desenvolvida pela Erione, empresa sediada no Parque de Inovação Tecnológica (PIT) de São José, em parceria com a startup Deepvis. O projeto foi viabilizado pela Lei de Inovação, que permite que empresas de base tecnológica testem soluções em ambiente real, com regras regulatórias adaptadas e sem custos para o poder público.
Segundo a Erione, o sistema alia três pilares: sustentabilidade, escalabilidade e economia.
“É sustentável porque aproveita veículos que já circulam diariamente pela cidade, sem precisar de novos carros. É escalável porque pode ser ampliado de forma simples, instalando em mais caminhões. E é econômico porque reduz os custos de operação”, explicou Alexandre Mattos, gerente de Inovação e Novos Negócios da empresa.
O que pode mudar na prática
O uso da IA deve alterar a lógica da zeladoria urbana em São José. Até agora, a maioria das ocorrências chegava por meio do 156, aplicativo de serviços da Prefeitura, ou por denúncias da população. Com o novo sistema, a expectativa é que parte dos problemas seja identificada de forma automática, antes mesmo que os moradores precisem acionar a Prefeitura.
A administração municipal avalia expandir o modelo se os testes apresentarem bons resultados. A aposta é que a tecnologia se torne uma ferramenta permanente de gestão urbana.
Foto de capa: Claudio Vieira/PMSJC
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