A sessão desta terça-feira (19) da Câmara de São José dos Campos foi mais um capítulo do tom politizado que vem marcando os trabalhos desde o retorno do recesso parlamentar. A faísca, desta vez, veio da repercussão do requerimento da vereadora Amélia Naomi (PT) sobre o ministro Alexandre Padilha, tema que já se sabia que daria briga. O documento foi amplamente comentado por parlamentares como Thomaz Henrique (Novo), Juliana Fraga (PT) e Apolinário (PSD), reacendendo a disputa ideológica dentro do plenário.
No meio da discussão, alguns vereadores buscaram puxar a conversa para os problemas concretos da cidade. Foi o caso de Roberto Chagas (PL), que reclamou do “fogo cruzado” entre esquerda e direita enquanto, segundo ele, a Câmara deixa de discutir saúde, estradas rurais e demandas da comunidade. “É PT, é PL, é Direita… Pelo amor de Deus! Vamos pensar na nossa cidade! Eu quero saber é de São José dos Campos”, afirmou.
A gente fica nesse fogo cruzado. É PT, é PL, é PT, é Direita… Pelo amor de Deus! Vamos pensar na nossa cidade! Vamos pensar nos nossos problemas na comunidade, os nossos hospitais que ainda estão com os leitos mais do que ocupados… tanta coisa pra gente discutir, eu vou saber quem é Padilha? – Roberto Chagas (PL)
Na sequência, Zé Luis (PSD) concordou com Chagas e aproveitou para criticar o financiamento da saúde, reforçando que o hospital municipal vem arcando sozinho com uma conta que deveria ser dividida com os governos estadual e federal. “A cada 100 reais que é gasto ali no hospital chamado de portas abertas, o joseense que está pagando”, disse. O presidente da Casa, Roberto do Eleven (PSD), completou o discurso afirmando que, se não fossem enviados pacientes de fora da cidade, os recursos seriam suficientes para atender a população local.
São José dos Campos não tem preconceito de recursos. Pode ser recurso do Governo Federal, Governo Estadual, nós queremos. Aliás o Hospital Municipal está precisando cada vez mais de recursos que não são pagos pelo Governo Federal e também pelo Governo Estadual. O financiamento da saúde está atrasado em São José dos Campos – Zé Luis (PSD)
Enquanto discursos como esses tentam pautar o debate em torno das prioridades de São José, na prática a base do governo Anderson Farias (PSD) segue rejeitando sistematicamente requerimentos apresentados pela oposição, principalmente aqueles que buscam expor eventuais fragilidades da administração. Nomes como Senna (PL), Amélia Naomi (PT) e Abranches (Cidadania) estão entre os mais atingidos pelas negativas recentes. Na sessão de ontem, por exemplo, foram barrados pedidos de informações sobre o andamento da regularização de bairros, reforçando a leitura de que há uma blindagem clara em favor do Executivo e um esforço para desidratar a atuação de partidos e vereadores de oposição.
O tom da sessão deixou evidente que, embora vozes como as de Chagas, Zé Luis e Eleven insistam em falar da cidade, o embate político continua sendo o pano de fundo de quase todas as discussões. As próximas sessões vão mostrar se a cobrança de foco em São José será cumprida ou se a Câmara seguirá sendo palco de disputas nacionais com pitadas de debates locais. Até lá, o Diário de São José acompanha os bastidores de cada movimentação no Legislativo.
Foto: Divulgação/CMSJC









