+Diário

Padre Márlon Múcio é internado na UTI com suspeita de infarto e deve passar o Réveillon hospitalizado

Religioso de Taubaté convive com doença rara diagnosticada aos 45 anos, já enfrentou mais de 20 internações em 2025 e é fundador de hospital especializado em doenças raras

Padre Márlon Múcio é internado na UTI com suspeita de infarto e deve passar o Réveillon hospitalizado

O padre Márlon Múcio, de Taubaté, foi internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) na noite desta terça-feira (30), após sentir fortes dores. A suspeita inicial é de infarto, embora o diagnóstico ainda não tenha sido fechado pela equipe médica. O religioso foi levado a um hospital de São José dos Campos, onde permanece internado, sem previsão de alta, e deve passar o Réveillon sob cuidados médicos. Siga o @diariodesaojose.com.br no Instagram.

A nova internação se soma a uma longa sequência de atendimentos hospitalares enfrentados ao longo de 2025, ano marcado por sucessivas complicações de saúde relacionadas à Deficiência do Transportador de Riboflavina (RTD), doença genética rara, progressiva e neurodegenerativa com a qual convive.

Uma doença rara, um diagnóstico tardio e uma rotina extrema de tratamento

A RTD é considerada uma doença rara pelo Ministério da Saúde, classificação dada a condições que afetam menos de uma pessoa a cada dois mil nascidos vivos. No Brasil, estima-se que cerca de 13 milhões de pessoas convivam com algum tipo de doença rara, muitas delas enfrentando longos percursos até o diagnóstico correto.

No caso de Márlon Múcio, o diagnóstico só veio aos 45 anos. Antes disso, foram décadas de sintomas, consultas, exames e tratamentos equivocados. Os primeiros sinais surgiram ainda na infância, quando perdeu a audição aos 7 anos. Com o passar do tempo, vieram dificuldades para mastigar, fadiga intensa e problemas respiratórios.

Hoje, para se manter vivo, o padre relata fazer uso diário de mais de 280 comprimidos, número que já chegou a 315 em períodos mais críticos. Trata-se de uma rotina extrema de tratamento contínuo, que exige acompanhamento médico permanente.

Internações recorrentes e agravamento ao longo de 2025

Somente em 2025, Márlon contabiliza 21 internações e atendimentos de urgência, sendo oito delas em UTI. Em outubro, passou 14 dias internado após complicações decorrentes da quebra de sua traqueostomia. Em setembro, foram duas internações seguidas, com intervalo de poucos dias em casa entre uma e outra. Em maio, permaneceu hospitalizado por mais de duas semanas.

Segundo o próprio religioso, a internação desta semana pode estar relacionada tanto a uma complicação cardíaca quanto à progressão da RTD, que tem avançado de forma significativa. Enquanto os médicos investigam a causa das dores, o padre segue sob monitoramento intensivo. Entre agora no canal oficial do Diário no Whatsapp e receba notícias em tempo real.

Fé, resiliência e exposição pública da própria fragilidade

Nas redes sociais e em mensagens enviadas a pessoas próximas, Márlon pediu orações e compartilhou, de forma direta, a realidade do momento. Sem recorrer a dramatizações excessivas, falou sobre o cansaço físico, o impacto emocional e a consciência de que não pode desistir.

A exposição pública da própria condição não é recente. Ao longo dos últimos anos, o padre se tornou uma das vozes mais conhecidas no país quando o tema é doenças raras, justamente por transformar a própria história em instrumento de conscientização.

Hospital para doenças raras e atuação além do altar

Além de sacerdote, Márlon Múcio é fundador de um hospital especializado no atendimento de pessoas com doenças raras, localizado em Taubaté. A unidade é considerada pioneira no Brasil por oferecer atendimento integral e gratuito a esse público, que frequentemente enfrenta barreiras no sistema tradicional de saúde.

O religioso também é autor de mais de 40 livros, protagonista do filme Milagre Vivo, que retrata sua trajetória, e reúne mais de 1,5 milhão de seguidores nas redes sociais, onde aborda fé, saúde, espiritualidade e políticas públicas voltadas a doenças raras.

Um caso individual que escancara um problema coletivo

A história de Márlon Múcio chama atenção não apenas pelo drama pessoal, mas por evidenciar um problema estrutural: a dificuldade de diagnóstico, tratamento e acompanhamento de pessoas com doenças raras no Brasil. A chamada “odisseia diagnóstica”, que pode durar décadas, ainda é realidade para milhões de brasileiros.

Enquanto aguarda a definição médica sobre seu quadro atual, o padre segue internado, em observação, atravessando mais uma virada de ano dentro de um hospital — cenário que, para ele, infelizmente, deixou de ser exceção.

Foto de capa: Divulgação

📲 Acompanhe o Diário também nas redes!
👉 Siga o @diariodesaojose.com.br no Instagram.

O Diário também fala com você! 👉 Receba as principais notícias de São José em tempo real.
Entre agora no canal oficial do Diário no Whatsapp e receba notícias em tempo real.

Matérias relacionadas

Mutirão contra a dengue acontece neste sábado (14) na região oeste de São José

A Prefeitura de São José dos Campos realiza neste sábado (14) mais...

Corujão terá gratuidade após desfiles de Carnaval em São José nesta segunda (16)

As linhas do Corujão em São José dos Campos terão gratuidade a...

Novos postos de coleta ampliam acesso a exames laboratoriais em São José

A partir desta sexta-feira, 13 de fevereiro, São José dos Campos amplia...

O que abre e fecha em São José dos Campos no Carnaval 2026

A Prefeitura de São José dos Campos definiu o esquema de funcionamento...