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Nova ala amplia atendimento a jovens com dependência química na região

Hospital Francisca Júlia passa a oferecer 12 leitos exclusivos para adolescentes encaminhados pela rede pública

Nova ala hospitalar vai atender jovens com dependência química

São José dos Campos passou a contar, desde 10 de novembro, com a primeira ala do Vale do Paraíba dedicada exclusivamente ao tratamento de adolescentes dependentes de álcool e outras drogas. A estrutura integra o convênio firmado entre o município e o Hospital Francisca Júlia, que agora totaliza 100 leitos destinados aos pacientes da rede pública, dos quais 12 são reservados para jovens entre 12 e 17 anos — nove meninos e três meninas.

A abertura desse serviço responde a um movimento já identificado por psiquiatras e psicólogos da instituição: o aumento de quadros de sofrimento psíquico e de autolesão emocional na adolescência pós-pandemia. Segundo levantamentos clínicos, 90% dos jovens internados relatam uso de álcool ou drogas como uma tentativa de anestesiar ansiedade, depressão ou sensação de vazio, o que acaba agravando o quadro a médio prazo.

O novo centro trabalha com uma abordagem que combina tratamento psiquiátrico, psicológico e psicossocial. A equipe é multidisciplinar e atua 24 horas, com psiquiatras, psicólogos, pedagogos, assistentes sociais, educadores físicos, especialistas em dependência química, oficineiros e enfermagem. Siga o @diariodesaojose.com.br no Instagram.

Por que esse serviço importa

O cérebro adolescente, ainda em desenvolvimento, aumenta a vulnerabilidade ao uso de substâncias e acelera a progressão para quadros mais graves de dependência. Pesquisas citadas pelo próprio hospital indicam que adolescentes que iniciam o uso têm quatro vezes mais chance de desenvolver transtornos de humor e ansiedade.

A nova ala tenta interromper esse ciclo articulando três frentes: resgate do sofrimento psíquico, estabilização clínica e construção de rotinas terapêuticas. A programação inclui atividades corporais, arteterapia, terapia cognitivo-comportamental, acompanhamento pedagógico e envolvimento da família. Entre agora no canal oficial do Diário no Whatsapp e receba notícias em tempo real.

Como funciona o acesso

A internação só ocorre por encaminhamento da rede pública. O fluxo começa nas unidades básicas de saúde (UBS), segue para avaliação especializada nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e, diante da gravidade, pode evoluir para a internação no Francisca Júlia.

Os serviços de porta aberta seguem funcionando normalmente.
Caps AD 3 – Álcool e Drogas: atende por demanda espontânea na Rua Pituba, 100, Jardim Satélite.
Sama – Serviço Ambulatorial para Adolescentes: Rua Pedro de Toledo, 98, Vila Ady Anna.
Esses locais acolhem casos iniciais, crises, recaídas e orientações familiares sem necessidade de agendamento.

A ampliação dos leitos não resolve sozinha o problema crescente de sofrimento mental entre jovens, mas representa um reforço concreto em uma rede pressionada por demandas cada vez mais complexas.

Foto de capa: Divulgação

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