O Jardim Imperial, na Zona Sul de São José dos Campos, voltou a acordar com o mesmo medo que já virou rotina nas últimas semanas: o chão pode não aguentar. Um novo ponto de afundamento foi registrado na Avenida Felisbina de Souza Machado, exatamente na via onde duas crateras se abriram recentemente e provocaram a interdição de imóveis.
Moradores relatam que o asfalto começou a ceder na noite de quarta-feira (11) e que, após a chuva de quinta-feira (12), o problema se agravou, com acúmulo de água no trecho comprometido. A lembrança é recente demais para ser ignorada. O cenário, segundo eles, repete os sinais que antecederam as aberturas anteriores.
A segunda cratera, aberta dias atrás, levou à interdição de quatro casas e de um prédio com 34 apartamentos. Ao todo, 156 pessoas permanecem desalojadas. A obra emergencial teve início na terça-feira (10), priorizando justamente o ponto mais crítico da via.
Mas o novo afundamento desloca o foco. A pergunta que ecoa no bairro é simples e incômoda: o problema está sendo contido ou apenas remendado?
Chuva, drenagem e risco estrutural
De acordo com moradores, a persistência das chuvas aumenta o temor de que a rede de drenagem esteja comprometida. Há relatos de que a primeira cratera voltou a encher de água após pancadas de chuva e que houve transbordamento de esgoto, com mau cheiro no entorno.
Tecnicamente, o risco faz sentido. Infiltração contínua pode ampliar vazios no subsolo, acelerar processos erosivos e fragilizar ainda mais o pavimento. Quando o asfalto afunda, normalmente o problema não está na superfície, mas abaixo dela.
A Prefeitura informou, por meio de nota, que monitora a situação da galeria de águas pluviais e que equipes da Defesa Civil e da Guarda Civil Municipal permanecem no local 24 horas por dia para garantir a segurança e adotar providências, se necessário. A administração também já anunciou a utilização de método considerado “não destrutivo” para recuperação da galeria e prometeu obra definitiva.
O discurso institucional, porém, enfrenta o teste da realidade: enquanto a solução estrutural não se consolida, o bairro convive com isolamento de área, interdições, incerteza e desvalorização imediata do entorno.
O problema é pontual ou sistêmico?
O Jardim Imperial não é um bairro improvisado. É loteamento consolidado, com prédios, comércio e circulação intensa. Quando uma rua abre duas crateras em sequência e registra um terceiro afundamento em poucos dias, a questão deixa de ser apenas meteorológica.
O município afirma estar atuando com força-tarefa e assistência aos desalojados. Moradores, por sua vez, cobram mais sinalização, ampliação do isolamento no novo ponto de risco e transparência sobre o que, de fato, está sendo feito abaixo do asfalto.
Entre o monitoramento oficial e o medo cotidiano, há uma distância que não se mede em metros, mas em confiança. Enquanto a cratera não é fechada, o receio permanece aberto.
Foto de capa: Reprodução/Redes Sociais
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