O Fevereiro Roxo em São José dos Campos terá programação aberta ao público nesta semana. O Shopping Jardim Oriente promove no dia 26 de fevereiro, às 19h, uma roda de conversa sobre doenças autoimunes, com foco em lúpus e fibromialgia. A entrada é gratuita e o encontro será realizado na Praça de Alimentação.
A conversa contará com a médica Laura Beatriz Vieira Fernandes, especialista em Reumatologia e Doenças Autoimunes da clínica médica do Hospital Pio XII. A mediação ficará sob responsabilidade da jornalista Michelle Sampaio. O público poderá participar presencialmente, fazer perguntas e acompanhar a transmissão ao vivo pelo Instagram do shopping.
A proposta, segundo a organização, é ampliar a conscientização sobre doenças crônicas, estimular o reconhecimento de sintomas e reforçar a importância da avaliação médica especializada. Em casos como lúpus e fibromialgia, o diagnóstico costuma ser tardio, muitas vezes após anos de dor e peregrinação por consultórios.
Doenças autoimunes e o desafio do diagnóstico
Pacientes da rede pública de saúde no Brasil costumam ter dificuldade de acesso rápido a especialistas, principalmente em áreas como reumatologia e neurologia. Nesse cenário, ações educativas cumprem papel relevante ao oferecer informação básica e espaço para esclarecimento de dúvidas.
Ainda assim, há um ponto que merece reflexão. Campanhas como o Fevereiro Roxo concentram visibilidade em um único mês, enquanto o tratamento e o acompanhamento dessas doenças são permanentes. A informação precisa gerar encaminhamento, não apenas engajamento momentâneo.
Além da roda de conversa, o shopping recebe uma exposição fotográfica sobre a história do hospital, instalada em frente ao cinema entre 19 de fevereiro e 22 de março. No dia 23, estudantes da Faculdade de Medicina Anhembi Morumbi realizaram orientações educativas gratuitas sobre autocuidado, atividade física e prevenção.
O evento acontece na Rua Andorra, 500, Jardim América, Zona Sul de São José dos Campos. O estacionamento é gratuito.
Fevereiro Roxo intensifica alerta sobre lúpus e a necessidade de diagnóstico e tratamento adequados
Ao longo deste mês, a campanha Fevereiro Roxo volta seus holofotes para o lúpus, doença autoimune crônica que afeta principalmente mulheres e pode atingir diversos órgãos e sistemas do corpo. A iniciativa, que integra esforços de órgãos de saúde e instituições em todo o Brasil, tem como objetivo aumentar o reconhecimento dos sinais e sintomas, promover o diagnóstico precoce e reforçar a importância de um tratamento contínuo e multidisciplinar.
O lúpus eritematoso sistêmico (LES) é uma condição na qual o sistema imunológico ataca equivocadamente tecidos saudáveis, provocando inflamação em órgãos como pele, rins, pulmões, articulações e coração. Entre os sintomas mais frequentes estão fadiga intensa, dor nas articulações, febre, manchas cutâneas e perda de cabelo, além de manifestações que podem surgir de forma imprevisível ao longo do tempo.
Apesar dos avanços no conhecimento médico, estudos recentes apontam que a mortalidade por lúpus no Brasil permanece estável há mais de 20 anos, com predominância de óbitos em pessoas mais jovens quando comparadas à população em geral.
Para a reumatologista da Santa Casa de São José dos Campos, Dra. Elisa Melo, a campanha representa uma oportunidade fundamental de diálogo com pacientes, familiares e profissionais de saúde. “O lúpus é uma doença complexa, com apresentação muito variável entre as pessoas. O diagnóstico precoce muda o rumo da história clínica, permitindo ações terapêuticas que controlam os sintomas e reduzem complicações”, afirma.
Dra. Elisa ressalta que ainda há muitos desafios no atendimento: “Muitos pacientes convivem por anos com dores, cansaço e lesões sem um diagnóstico claro, porque os sinais podem ser sutis e confundidos com outras condições. Neste mês, reforçamos a importância de procurar um reumatologista ao primeiro sinal persistente, isso pode fazer toda a diferença.”
A especialista lembra também que o acompanhamento contínuo é fundamental. “O tratamento do lúpus não é único nem estático, ele depende da avaliação clínica constante e da adesão ao tratamento. A equipe multidisciplinar, que inclui reumatologista, dermatologista, nefrologista e outros profissionais, é essencial para oferecer qualidade de vida às pessoas afetadas”, conclui.
Foto de capa: Divulgação
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