A tarde desta sexta-feira (3) em São José dos Campos foi marcada por dor, emoção e solidariedade. Em meio à perda irreparável de um filho, a família de Gustavo Costa Souza, de apenas 17 anos, decidiu autorizar a doação de seus órgãos. O gesto garantiu uma nova chance de vida para cinco pacientes que aguardavam na fila de transplantes.
O jovem sofreu um grave acidente de moto na Rodovia Henrique Eroles, no último domingo (28), e teve a morte encefálica confirmada na quinta (2). A decisão da família transformou o momento de luto em esperança.
A despedida no Hospital Municipal
O momento mais comovente aconteceu nos corredores do Hospital Municipal de São José dos Campos, quando familiares, amigos, profissionais de saúde e colaboradores se reuniram para aplaudir a passagem da maca que levava Gustavo da UTI até o centro cirúrgico, onde foi realizada a captação dos órgãos. Alguns seguravam bexigas brancas, em uma cena de respeito e gratidão à família.
Foram doados rins, córneas e fígado, em um procedimento conduzido pela equipe da Organização de Procura de Órgãos (OPO), ligada à Unicamp, em parceria com os profissionais do hospital, gerenciado pela SPDM.
A importância da autorização familiar
A legislação brasileira estabelece que a doação de órgãos só é possível com a autorização da família. Por isso, especialistas reforçam a importância de conversar sobre o tema em casa.
“Apesar da dor, dizer sim à doação pode transformar tristeza em esperança para outras famílias. Cada gesto solidário significa uma vida salva”, destacou a equipe do hospital.
O Hospital Municipal é referência regional nesse tipo de procedimento. Apenas em 2025, já foram 30 órgãos captados — entre rins, córneas, fígados e até um osso. Desde 2022, o hospital registrou 124 notificações de morte encefálica, sendo 76 pacientes elegíveis à doação. Mais da metade das famílias abordadas autorizou o processo, resultando em 39 doadores efetivos e 160 órgãos captados nesse período.
No total, 165 pessoas receberam transplantes nos últimos três anos em decorrência da solidariedade de famílias que, assim como a de Gustavo, disseram “sim” no momento mais difícil.
Morador do bairro 31 de Março, Gustavo era conhecido como um rapaz humilde, trabalhador desde os 15 anos e sonhador. Desde o acidente, amigos e familiares realizaram vigílias de oração e campanhas nas redes sociais. A decisão da família agora eterniza sua memória em outras vidas.
Foto de capa: Divulgação









