Internacional

EUA saem da OMS em meio a receio de crise orçamentária na saúde global

Decisão do governo Trump leva a cortes na Organização Mundial da Saúde e é vista como violação da legislação americana

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EUA se preparam para sair da OMS e provocam crise orçamentária na saúde global

Os Estados Unidos sinalizaram esta quinta-feira (22) como a data de saída da Organização Mundial da Saúde, uma decisão que já desencadeou uma grave crise orçamentária na agência e levanta alertas sobre impactos diretos na saúde global — inclusive dentro do próprio território norte-americano.

A medida foi anunciada pelo presidente Donald Trump ainda no primeiro dia de seu novo mandato, em 2025, por meio de decreto presidencial. Pela legislação dos Estados Unidos, no entanto, a retirada formal exige aviso prévio de um ano e o pagamento integral das contribuições financeiras pendentes, estimadas em cerca de US$ 260 milhões.

Mesmo assim, um porta-voz do Departamento de Estado afirmou que a decisão já está em vigor e que a Casa Branca determinou a suspensão imediata de qualquer transferência futura de recursos à OMS. Segundo o governo americano, a organização “falhou em conter, gerenciar e compartilhar informações”, o que teria custado “trilhões de dólares” aos Estados Unidos.

“O povo americano já pagou mais do que o suficiente para essa organização e esse golpe econômico está além de um adiantamento de qualquer obrigação financeira com a organização”, disse o porta-voz do Departamento de Estado, em comunicado por e-mail.

Corte de gestão, redução de equipes e riscos globais

A saída dos Estados Unidos — historicamente responsáveis por cerca de 18% do financiamento total da OMS — já produziu efeitos concretos. A agência anunciou o corte de metade de sua equipe de gestão e a redução de aproximadamente um quarto do seu quadro geral até a metade deste ano, além da diminuição de programas em diversas áreas.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, apelou publicamente para que Washington reconsidere a decisão. “Espero que os Estados Unidos reconsiderem e voltem a participar da OMS”, afirmou em entrevista coletiva recente. “Retirar-se da OMS é uma perda para os Estados Unidos e é uma perda para o resto do mundo.”

A própria organização confirmou que os EUA ainda não quitaram as contribuições relativas a 2024 e 2025. O tema deverá ser discutido formalmente no conselho executivo da OMS em fevereiro, quando os países-membros avaliarão como lidar institucionalmente com a saída americana.

Especialistas em direito internacional e saúde pública apontam possíveis irregularidades no processo. “Essa é uma clara violação da lei dos Estados Unidos”, afirmou Lawrence Gostin, diretor fundador do Instituto O’Neill de Direito da Saúde Global da Universidade de Georgetown. “Mas é muito provável que Trump consiga se safar.”

A decisão também gerou reação de grandes financiadores da saúde global. Em Davos, Bill Gates, presidente da Fundação Gates, afirmou não acreditar em um retorno americano no curto prazo. “Não acho que os Estados Unidos voltarão à OMS em um futuro próximo”, disse. “O mundo precisa da Organização Mundial da Saúde.”

Para especialistas, o impacto vai além do orçamento. “A saída dos Estados Unidos da OMS pode enfraquecer os sistemas e as colaborações com os quais o mundo conta para detectar, prevenir e responder às ameaças à saúde”, alertou Kelly Henning, da Bloomberg Philanthropies.

A OMS afirmou que manteve colaboração técnica e troca de informações com os Estados Unidos ao longo do último ano, mas reconheceu que ainda não está claro como essa relação funcionará daqui para frente.

Foto de capa: Divulgação

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Escrito por
Dimas Vilas Boas

Dimas Vilas Boas é jornalista e editor do Diário de São José. Atua na cobertura de temas ligados à cidade, com foco em jornalismo local, análise e contexto sobre os fatos que impactam o cotidiano de São José dos Campos e região.

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