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Combate à dengue em Jacareí esbarra em casas fechadas e recusa de visitas, aponta Prefeitura

Mais de um terço dos imóveis do município não foi vistoriado em 2025; Secretaria de Saúde divulga cronograma de ações, reforça vacinação e cobra colaboração direta dos moradores

Jacareí inicia primeira Avaliação de Densidade Larvária de 2026 no combate à dengue

A Prefeitura de Jacareí intensificou nas últimas semanas as ações de combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya, mas enfrenta um obstáculo que já se tornou estrutural no controle da doença: casas fechadas e moradores que recusam a entrada dos agentes de saúde. Dados oficiais da Vigilância em Saúde indicam que, somente em 2025, 38% dos imóveis visitados no município não puderam ser vistoriados, um índice considerado alto e que compromete a eficácia das ações preventivas.

Segundo a administração municipal, ao longo do último ano foram realizadas visitas em 325.557 imóveis. Desse total, 201.478 residências passaram por vistoria completa, com eliminação de criadouros e orientação aos moradores. Em contrapartida, 124.079 imóveis estavam fechados ou tiveram a entrada dos agentes recusada. Na prática, isso significa que quase quatro em cada dez imóveis ficaram fora do alcance direto das ações de controle do mosquito.

A dificuldade se repete nas operações de nebulização, utilizadas principalmente em regiões com casos confirmados ou suspeitos de dengue. Das visitas programadas para aplicação do inseticida, apenas 4.851 imóveis foram atendidos. Outros 12.894, o equivalente a 72,6%, estavam fechados ou não autorizaram o acesso das equipes. O dado chama atenção porque a nebulização depende de cobertura territorial para reduzir a circulação do mosquito adulto e interromper cadeias de transmissão.

A secretária de Saúde de Jacareí, Aguida Fernandes, afirma que o cenário acende um alerta sanitário importante.

“O alto índice de imóveis fechados ou que recusaram a entrada dos agentes acende um alerta, já que cerca de 80% dos criadouros do mosquito estão dentro das residências. A colaboração da população é fundamental para reduzir os casos e proteger a saúde de todos”, declarou.

O discurso institucional encontra respaldo técnico. Diferentemente do que parte da população ainda acredita, a maior parte dos focos do Aedes aegypti não está em áreas públicas, mas dentro dos próprios quintais, caixas d’água, ralos, calhas, vasos de plantas e recipientes mal vedados. Quando o acesso dos agentes é impedido, esses focos permanecem ativos e funcionam como pontos de reinfestação para toda a vizinhança.

Cronograma concentra ações em bairros com maior necessidade

Como resposta ao cenário, a Prefeitura de Jacareí divulgou um cronograma concentrado de ações para esta semana, priorizando regiões com maior demanda técnica. As visitas casa a casa estão sendo realizadas no Jardim Flórida, especialmente na Avenida Mississipi, com equipes de Agentes de Combate às Endemias devidamente identificadas com colete e crachá. O objetivo é localizar e eliminar criadouros, além de orientar os moradores sobre medidas simples e contínuas de prevenção.

O serviço de cata-treco também integra a estratégia municipal. A coleta de materiais inservíveis ocorre no Jardim Conquista na terça-feira, segue com ações agendadas na quarta e retorna à Avenida Mississipi na quinta e sexta-feira. A Secretaria de Saúde reforça que os materiais devem ser colocados na calçada até as 6h50, permitindo a retirada de objetos que acumulam água e funcionam como criadouros, como móveis velhos, eletrodomésticos, plásticos, papelão, vidro e metais.

No Parque Santo Antônio, as equipes realizam nebulização pontual, aplicada apenas em locais com casos confirmados ou suspeitos da doença. Segundo a Prefeitura, o inseticida utilizado não oferece riscos à saúde de humanos ou animais, quando aplicado conforme os protocolos técnicos estabelecidos pelo Ministério da Saúde.

A administração municipal ressalta que o cronograma pode sofrer alterações conforme avaliação técnica e surgimento de novos focos ou casos, o que exige flexibilidade operacional diante da dinâmica da doença.

Vacinação e monitoramento entram no centro da estratégia

Além das ações de campo, Jacareí mantém a vacinação contra a dengue para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos em todas as 19 unidades de saúde do município. Quatro delas operam com horário estendido, das 8h às 19h, com distribuição de senhas até as 18h, nas unidades Santa Cruz dos Lázaros, Cidade Salvador, Parque Santo Antônio e Jardim das Indústrias. A Prefeitura reforça que a vacina é uma camada adicional de proteção, mas não substitui os cuidados ambientais e a eliminação de focos.

Outra frente mantida de forma permanente é a Avaliação de Densidade Larvária, conhecida como ADL. A cada três meses, agentes visitam domicílios em diferentes regiões da cidade para examinar recipientes com potencial de se tornarem criadouros, coletando amostras de larvas e pupas para análise. O levantamento orienta decisões técnicas e permite direcionar ações para áreas com maior risco de proliferação do mosquito.

No campo da comunicação direta com a população, o município disponibiliza o “Zap Dengue”, um canal de atendimento via WhatsApp no número (12) 99159-7877. Por meio do serviço, moradores podem esclarecer dúvidas, denunciar possíveis focos, obter informações sobre sintomas, cuidados preventivos e localizar unidades de saúde. As denúncias também podem ser feitas pelo telefone 156, pelo Atende Bem on-line ou presencialmente, no Centro, além do número 0800 016 3010.

Colaboração da população segue como ponto crítico

Apesar do conjunto de ações, a Prefeitura admite que o sucesso do combate à dengue depende, em grande medida, da colaboração dos moradores. O elevado percentual de imóveis inacessíveis indica um desafio que vai além da logística e entra no campo da conscientização. Sem acesso às residências, o poder público atua de forma limitada, enquanto o mosquito continua circulando.

Há, de um lado, o argumento da segurança, que leva parte da população a desconfiar da entrada de agentes. De outro, a Secretaria de Saúde reforça que os profissionais atuam identificados e que a recusa sistemática compromete a saúde coletiva. O impasse expõe uma contradição recorrente nas políticas públicas de prevenção: a proteção individual acaba, muitas vezes, ampliando o risco coletivo.

Foto de capa: Divulgação

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