Bastidores

Após elogiar PT e criticar PL, Anderson sanciona autorização para empréstimo de R$ 225 mi com o BNDES

Recurso será aplicado entre 2026 e 2028 em projetos de modernização, mobilidade elétrica e ampliação do CSI; município vinculará receitas constitucionais como garantia

Anderson sanciona autorização para empréstimo de R$ 225 milhões com o BNDES

A Prefeitura de São José dos Campos publicou nesta quarta-feira (11) a Lei Complementar nº 713/2026, autorizando oficialmente o município a contratar operação de crédito de até R$ 225 milhões junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

A sanção formaliza o que já havia sido aprovado pela Câmara Municipal na semana passada, em votação, por 14 votos a 6. Mas o ato administrativo é apenas a parte visível de um movimento mais amplo: o episódio escancarou a consolidação de um eixo político da base governista na cidade.

O projeto autoriza a contratação dentro das linhas BNDES FINEM, Fundo Clima ou BNDES Mais Inovação, com aplicação prevista entre 2026 e 2028. A própria lei detalha o cronograma financeiro: R$ 103,2 milhões já em 2026, R$ 98,7 milhões em 2027 e R$ 23 milhões em 2028.

A política por trás da sanção

Embora a publicação da lei seja um ato formal, o debate político não terminou com a votação.

Em entrevista exclusiva ao Diário de São José, o prefeito Anderson Farias (PSD) foi além da defesa técnica do projeto e adotou tom frontal contra os críticos.

Segundo ele, a narrativa de que a cidade estaria “quebrada” é uma construção política sem lastro fiscal.

“Eles gostam de passar vergonha desde a época da campanha eleitoral, de falar que a cidade está quebrada. Eu peço aqui uma nota fiscal de uma empresa que está com seu pagamento atrasado. Me traga um servidor que não está recebendo o seu salário em dia.”

O prefeito afirmou que o município encerrou o exercício anterior com superávit financeiro e que a operação só é possível porque a situação fiscal é considerada sólida pelos próprios órgãos de crédito.

“Não estou gerando nenhum endividamento da cidade que não seja capaz de suportar. Se a cidade estivesse com problema financeiro, eu não teria um crédito de 225 milhões junto ao BNDES.”

A fala toca no ponto central da disputa: para a base, trata-se de antecipação estratégica de investimento; para parte da oposição, é aumento de endividamento.

PT vota com a base e recebe elogio público

Se a sanção consolidou o movimento institucional, a votação revelou o desenho político.

O PSD votou fechado a favor. O PT também.

O alinhamento foi reconhecido e elogiado publicamente pelo prefeito:

“A gente precisa parabenizar o PT. Os vereadores do PT em São José estão olhando para a cidade, estão olhando para o futuro.”

A declaração tem peso simbólico. Em uma Câmara tradicionalmente marcada por polarizações retóricas, o apoio do PT a um financiamento municipal articulado via banco federal sob influência do governo Lula foi interpretado como convergência institucional — e também como conveniência política.

PL dividido e ataque direto

Do outro lado, o PL apresentou fissura interna, como já de costume. O vereador Lino Bispo votou com o governo, enquanto os demais parlamentares do partido se posicionaram contra.

Ao comentar a postura do partido, Anderson elevou o tom:

“É contra porque é contra. Qual o motivo de não aprovar? Falar em endividamento? Qual endividamento? Prova para nós.”

E completou:

“Infelizmente, a gente vive ainda uma oposição que é uma oposição burra. Ela não sabe construir. Quando não tem o que propor, fica contando mentira.”

Veja aqui o vídeo completo. A expressão, incomum em declarações institucionais, deve reverberar no plenário nos próximos dias. O prefeito ainda mencionou críticas sobre o Instituto de Previdência municipal:

“Fala de dívida do Instituto. Uma grande mentira. O Instituto está lá bem saudável, mais de 2 bilhões na conta.”

O que exatamente está sendo autorizado

A Lei Complementar nº 713 não detalha juros e prazos, mas autoriza a vinculação de receitas constitucionais como garantia da operação, conforme previsto na Constituição Federal e na Lei de Responsabilidade Fiscal.

Os recursos poderão ser destinados à modernização da gestão pública, integração de sistemas administrativos, investimentos em educação, saúde, mobilidade urbana, sustentabilidade e centro de operações da cidade.

O prefeito detalhou o que chama de “desburocratização estrutural”:

“A Prefeitura tem 166 sistemas funcionando. Muitos deles não se conversam. Parte desse dinheiro é para integrar tudo e melhorar a prestação de serviços para o usuário.”

Também citou investimentos em carregadores para ônibus elétricos, drenagem urbana e jardins de chuva.

“A taxa do BNDES não existe no mercado. Tem carência. Isso permite antecipar investimentos.”

Endividamento ou antecipação?

O debate não está apenas no valor de R$ 225 milhões, mas no modelo de gestão fiscal.

A lei autoriza créditos adicionais e vinculações orçamentárias que impactam o PPA 2026–2029 e a LDO de 2026. Trata-se de compromisso financeiro que atravessa o atual mandato e projeta efeitos para a próxima gestão.

O Executivo argumenta que o município mantém capacidade de pagamento. A oposição sustenta que a dívida compromete flexibilidade futura.

Fato objetivo: a operação foi aprovada com maioria confortável e agora está juridicamente autorizada.

“A cidade não está sobrando dinheiro, mesmo porque eu faço uma boa gestão dos recursos públicos, sei onde vai entregar o recurso, sei eleger prioridades.”

A operação agora sai do campo político e entra no campo contratual. Mas o ruído da sessão, ao que tudo indica, ainda vai ecoar.

Foto de capa: Claudio Vieira/PMSJC

Acompanhe o Diário também nas redes! Siga o @diariodesaojose.com.br no Instagram.

O Diário também fala com você! Receba as principais notícias de São José. Entre agora no canal oficial do Diário no Whatsapp e receba notícias em tempo real.

Matérias relacionadas

Câmara aprova mudança na carreira do magistério e novo modelo para a rede municipal

A Câmara Municipal de São José dos Campos aprovou nesta quinta-feira (12)...

Câmara aprova empréstimo do BNDES e primeira votação de 2026 expõe eixo PT–PSD

A primeira sessão de votação de projetos de lei de 2026, realizada...

Câmara chega à primeira sessão de quinta de 2026 com base alinhada e projetos de alto impacto em pauta

A Câmara Municipal de São José dos Campos realiza nesta quinta-feira (5)...