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Akaer, de São José dos Campos, é vendida a grupo dos Emirados Árabes

Conglomerado de defesa e tecnologia compra 100% da empresa de engenharia aeroespacial fundada em São José dos Campos; negócio depende de aprovação regulatória

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Akaer, de São José dos Campos, é vendida a grupo dos Emirados Árabes

A Akaer, empresa de engenharia aeroespacial fundada e sediada em São José dos Campos, foi vendida ao Grupo Edge, conglomerado de defesa e tecnologia avançada dos Emirados Árabes Unidos. O acordo, anunciado nesta quinta-feira (16), prevê a compra de 100% da companhia brasileira. O valor não foi divulgado, e a conclusão do negócio ainda depende da aprovação de órgãos reguladores e do cumprimento de condições contratuais.

Segundo a Edge, a aquisição amplia sua presença estratégica no Brasil e fortalece sua capacidade de engenharia em projetos de alta complexidade. As duas empresas já mantinham parceria em projetos de desenvolvimento e industrialização de sistemas não tripulados, colaboração que, de acordo com as companhias, criou a base para ampliar a integração das operações.

Empregos e governança local em São José dos Campos

A Akaer informou que continuará operando a partir do Brasil, mantendo a estrutura de governança local em São José dos Campos, cidade onde foi fundada em 1992. Segundo a empresa, a aquisição permite ampliar a atuação internacional sem alterar sua identidade ou sua gestão no país.

Em relação aos funcionários, a Edge afirmou que pretende manter todos os empregos e projeta crescimento da operação nos próximos anos, impulsionado pelo acesso a novos mercados, investimentos e programas internacionais. O diretor-geral e CEO do grupo, Hamad Al Marar, apontou a preservação da equipe como prioridade.

“A Akaer agrega uma profunda capacidade de engenharia à Edge. Trata-se de uma equipe altamente especializada, com três décadas de experiência na execução de programas aeroespaciais complexos. Nossa prioridade é garantir a continuidade para os colaboradores da Akaer, seus programas e seus clientes, ao mesmo tempo em que construímos uma base sólida para o crescimento de longo prazo”, afirmou Al Marar.

Empresa Estratégica de Defesa

Apesar da compra integral por um grupo estrangeiro, a Edge afirma que a Akaer continuará credenciada como Empresa Estratégica de Defesa (EED). O enquadramento é concedido pelo Ministério da Defesa a companhias que desenvolvem ou produzem bens e tecnologias considerados essenciais à defesa nacional, e envolve requisitos societários e de governança.

Segundo o diretor financeiro (CFO) da Edge, Rodrigo Torres, será mantida uma estrutura local de governança e participação brasileira suficiente para atender às regras do credenciamento, com o desenho final dependente das aprovações regulatórias. “A empresa vai continuar servindo o parque industrial de defesa do Brasil e as Forças Armadas brasileiras. Com relação à soberania, nada muda”, declarou.

A manutenção do status de EED é um dos pontos mais sensíveis da operação, já que o setor de defesa envolve tecnologias, dados e projetos militares classificados como estratégicos.

Presença da Edge no Vale do Paraíba

A compra amplia a presença da Edge no Brasil. O grupo já detém 50% da SIATT, empresa de armamentos inteligentes com unidades em São José dos Campos e Caçapava, e controla a Condor, fabricante de equipamentos não letais. O conglomerado mantém ainda projetos com a Marinha, entre eles o desenvolvimento dos mísseis antinavio MANSUP e MANSUP-ER.

A expectativa do grupo, segundo Torres, é acelerar projetos estratégicos, sobretudo nas áreas de sistemas aéreos não tripulados (UAVs), optrônica, sensores eletro-ópticos, tecnologias infravermelhas e soluções espaciais, repetindo o modelo adotado após os investimentos na SIATT e na Condor.

Com mais de 30 anos de atuação, a Akaer é uma das principais empresas brasileiras de engenharia aeroespacial e acumula mais de 10 milhões de horas de engenharia. Participou de programas como o caça Gripen NG, da Saab, o jato de treinamento Hürjet, da Turkish Aerospace, e as aeronaves Super Tucano, KC-390, Legacy 450 e 500, ERJ-E1 e ERJ-E2, da Embraer. A empresa também atuou no Boeing 747-8, na aeronave B-250 da Calidus e na modernização da frota P-3 Orion da Força Aérea Brasileira.

Foto de capa: Divulgação

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Escrito por
Dimas Vilas Boas

Dimas Vilas Boas é jornalista e editor do Diário de São José. Atua na cobertura de temas ligados à cidade, com foco em jornalismo local, análise e contexto sobre os fatos que impactam o cotidiano de São José dos Campos e região.