O Vale do Paraíba contabiliza 706 casos confirmados de dengue em 2026, segundo dados do Departamento Regional de Saúde (DRS) de Taubaté. O número é inferior ao registrado no mesmo período de 2025, quando a região somava 1.139 casos, mas o cenário deste ano é considerado mais sensível devido à confirmação de um óbito em Jacareí, validado por exames clínicos do Instituto Adolfo Lutz.
A morte, a primeira registrada na região neste ano, não havia ocorrido no mesmo recorte temporal em 2025 e reforça o alerta das autoridades de saúde para a circulação ativa do vírus. O período de verão, marcado por altas temperaturas, umidade elevada e chuvas frequentes, segue sendo o mais favorável à proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya.
Índice larvário cai em São José, mas cidade segue em estado de atenção
Em São José dos Campos, a primeira Avaliação de Densidade Larvária (ADL) de 2026 apontou uma redução expressiva do Índice Breteau (IB), que mede a presença de larvas do mosquito em imóveis. O índice caiu de 2,2 em janeiro de 2025 para 1,2 em janeiro de 2026, representando uma diminuição aproximada de 45%.
Apesar da melhora, o patamar ainda mantém o município em estado de alerta, já que índices acima de 1 indicam risco de transmissão da doença. A leitura técnica é de que houve avanço no controle, mas não o suficiente para afastar a possibilidade de novos surtos, especialmente diante da continuidade das condições climáticas favoráveis.
A maior parte dos casos graves segue associada a falhas na eliminação de criadouros e à demora na busca por atendimento médico após o início dos sintomas.
Sintomas, diagnóstico e riscos do tratamento inadequado
A farmacêutica e docente da Faculdade Anhanguera, Aline Fonseca, destaca que a dengue ainda é frequentemente confundida com outras infecções virais, o que pode atrasar o diagnóstico e agravar o quadro clínico. “Os principais sintomas incluem febre alta, entre 39 °C e 40 °C, dores musculares e articulares intensas, dor de cabeça e dor atrás dos olhos. Diante desse quadro, a orientação é procurar atendimento médico e evitar qualquer tipo de automedicação”, explica.
Segundo ela, o uso inadequado de medicamentos pode aumentar o risco de complicações, especialmente nos casos de dengue com sinais de alerta ou evolução hemorrágica. “Em casos confirmados, a conduta básica envolve hidratação constante e repouso absoluto, fundamentais para a recuperação”, afirma.
A especialista também ressalta que sintomas respiratórios, como tosse, coriza e dor de garganta, são raros em arboviroses e costumam estar mais associados a quadros gripais ou à Covid-19, o que ajuda na diferenciação clínica inicial.
Entre os sinais que exigem atenção estão febre persistente, dores intensas no corpo, náuseas, vômitos, manchas vermelhas na pele, cansaço extremo e, em situações mais graves, sangramentos.
Prevenção continua sendo o principal instrumento de controle
Mesmo com a redução parcial dos índices, autoridades de saúde reforçam que a prevenção segue sendo a principal estratégia contra a dengue. A eliminação de recipientes que acumulam água, a limpeza de calhas e ralos, o cuidado com pratos de plantas e reservatórios descobertos continuam sendo ações decisivas para interromper o ciclo do mosquito.
A orientação é que a população mantenha vigilância contínua dentro de casa e nos arredores, especialmente em um ano que, apesar dos números menores até agora, já registra impacto mais severo em termos de mortalidade.
Foto de capa: Divulgação
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