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Avibras: Sindicato cobra Alckmin e governo sinaliza contrato de R$ 900 mi para tentar retomada

Reunião em Brasília é a terceira desde o início da crise; empresa está parada desde 2022 e acumula até 34 meses de salários atrasados

Avibras Sindicato cobra Alckmin e governo sinaliza contrato de R$ 900 milhões para tentar retomada

A crise da Avibras Indústria Aeroespacial, uma das empresas mais simbólicas da indústria de defesa brasileira e histórica em São José dos Campos, voltou à mesa do governo federal nesta quinta-feira (29). Em reunião com o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região voltou a cobrar a liberação de recursos públicos para viabilizar a retomada das atividades da fábrica, paralisada desde 2022.

O encontro ocorreu em Brasília e foi o terceiro entre o Sindicato e Alckmin desde o início da crise. Segundo os sindicalistas, o vice-presidente informou que o governo trabalha para fechar um contrato entre o Exército Brasileiro e a Avibras no valor de R$ 900 milhões, com vigência de cinco anos. A confirmação, de acordo com Alckmin, deve ocorrer até o fim da negociação em curso entre a empresa e os trabalhadores para o pagamento das dívidas trabalhistas acumuladas.

A previsão apresentada é de que a retomada das atividades aconteça em 16 de março, caso os acordos avancem.

Dívida trabalhista, promessas antigas e pressão sindical

O Sindicato foi representado na reunião pelo presidente Weller Gonçalves e pelo diretor Lucas Francelino. A central sindical CSP-Conlutas também participou, por meio do assessor Eduardo Zanata. Do lado do governo, o encontro foi conduzido no âmbito do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, pasta chefiada por Alckmin.

O momento da reunião não é casual. Na semana passada, os trabalhadores autorizaram o Sindicato a negociar diretamente uma proposta sobre os valores das dívidas trabalhistas, que incluem até 34 meses de salários atrasados, além de multas, verbas rescisórias e outros direitos. A expectativa é que o processo de negociação seja concluído até o final de fevereiro.

A direção da Avibras sinalizou a intenção de retomar a produção inicialmente com 210 trabalhadores, com possibilidade de chegar a 450 funcionários até o meio do ano, caso os contratos e o fluxo financeiro se concretizem.

Um histórico de cobranças sem desfecho

Esta não foi a primeira vez que o governo federal ouviu promessas e cobranças relacionadas à Avibras. A última reunião entre Sindicato e Alckmin havia ocorrido em maio de 2023, quando já se discutia a possibilidade de um contrato emergencial para socorrer a empresa. À época, porém, nada saiu do papel.

Em 2024, a pressão chegou ao mais alto nível. Durante uma cerimônia na Embraer, em São José dos Campos, Weller Gonçalves entregou pessoalmente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva uma carta relatando a situação dos trabalhadores e pedindo intervenção direta do governo federal.

“Já estamos há quatro anos nesta luta e defendemos a estatização da Avibras. Se o governo não assumir a empresa, tem de pelo menos garantir os contratos para que a fábrica seja retomada. A geração de empregos e o pagamento das dívidas com os trabalhadores é mais do que obrigação. Seguiremos cobrando até que as promessas sejam cumpridas”, afirmou Weller Gonçalves.

Avibras e São José: mais que uma fábrica

A Avibras não é apenas uma empresa em crise. Para São José dos Campos, ela representa um ativo industrial estratégico, com impacto direto na cadeia aeroespacial, na geração de empregos qualificados e na identidade da cidade como polo tecnológico e de defesa.

O possível contrato de R$ 900 milhões, embora expressivo, ainda carrega o peso do ceticismo acumulado por anos de negociações inconclusas. Para os trabalhadores, a retomada só será concreta quando os salários atrasados forem pagos e a produção voltar de forma contínua, não apenas como promessa de gabinete.

Até lá, a Avibras segue como símbolo de um impasse que mistura política industrial, soberania nacional e uma conta social que São José dos Campos acompanha de perto.

Foto de capa: Cadu Gomes/Vice-Presidência da República

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