São José dos Campos deu um passo concreto na agenda ambiental ao instalar, nesta quinta-feira (15), a primeira usina de biogás em uma escola municipal. O projeto foi implantado no Cedin Prof.ª Dejanira Moreira Machado dos Santos, no bairro Setville, e marca a entrada da rede pública de ensino em uma experiência prática de economia circular, geração de energia limpa e educação ambiental integrada ao cotidiano escolar.
A iniciativa é conduzida pela Prefeitura, por meio das secretarias de Urbanismo e Sustentabilidade e de Educação e Cidadania, em parceria com a empresa HomeBiogas. O equipamento instalado é um biodigestor capaz de transformar restos de alimentos, resíduos vegetais e poda de grama em biogás e fertilizante orgânico, reduzindo o volume de lixo destinado ao aterro sanitário e reaproveitando resíduos gerados diariamente pela própria escola.
A tecnologia utilizada é de origem israelense e já está presente em mais de 100 países. No modelo adotado em São José dos Campos, cada unidade tem capacidade para processar até 10 quilos de resíduos orgânicos por dia, o que pode gerar o equivalente a cerca de dois botijões e meio de gás de cozinha, além de adubo natural. O acompanhamento técnico do projeto será feito por três anos.
Segundo o CEO da HomeBiogas no Brasil, Leandro Toledano, a proposta inicial contempla dez escolas da educação infantil, com a meta de chegar a 100 unidades até o fim do ano.
“Cada escola recebe um biodigestor com capacidade de gerir até 10 quilos de resíduos orgânicos por dia, gerando, em média, o equivalente a 2,5 botijões de gás residencial, além de fertilizante orgânico”, afirmou.
Além da geração de energia, o projeto carrega um viés educacional explícito. As escolas participantes também receberão um viveiro de mudas, com o plantio anual de cerca de 60 árvores por unidade, conectando o uso do fertilizante produzido ao reflorestamento e à prática ambiental dentro da própria comunidade escolar.
“As crianças participam do processo, desde o plantio ao reflorestamento, reforçando na prática os conceitos de sustentabilidade e economia circular”, completou Toledano.
Educação ambiental no cotidiano da escola
No Cedin do Setville, a implantação do biodigestor será incorporada às atividades pedagógicas. De acordo com a diretora da unidade, Erika Castilho, a proposta envolve não apenas os alunos, mas toda a comunidade escolar.
“Vamos capacitar a equipe docente e os profissionais da cozinha, além de criar um plano de ação com as crianças para explicar, de forma didática, como funciona o biodigestor. A ideia é que elas participem ativamente, alimentando o sistema com os resíduos orgânicos da escola e entendendo, na prática, o conceito de sustentabilidade”, explicou.
A escola já desenvolve projetos de horta escolar, o que deve facilitar a integração do novo equipamento à rotina dos alunos. “As crianças já participam do projeto da horta e levam esse aprendizado para casa. A expectativa é que elas se encantem com a novidade e aprendam brincando”, disse a diretora.
Além da unidade do Setville, outras escolas da rede municipal também devem receber biodigestores nos próximos meses. O município já conta com três equipamentos do tipo em funcionamento, um deles instalado no Centro de Controle de Zoonoses, o que indica que a tecnologia não é inédita na cidade, mas agora passa a ser aplicada diretamente no ambiente educacional.
Do ponto de vista institucional, a iniciativa dialoga com metas ambientais globais e reforça o discurso de sustentabilidade da gestão municipal. O desafio, a partir daqui, será medir resultados concretos, custos de manutenção e capacidade de replicação do modelo em larga escala sem que o projeto fique restrito ao campo experimental ou ao marketing verde.
Foto de capa: Claudio Vieira/PMSJC
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