Os trabalhadores da Avibras aprovaram, em assembleia realizada na noite de quinta-feira (23), o início das negociações com a nova diretoria para a retomada das atividades da empresa, que está em recuperação judicial desde 2022. A expectativa apresentada é que a indústria volte a operar ainda no primeiro trimestre de 2026, após mais de três anos de paralisações, greves e incertezas.
Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, a proposta inicial da nova gestão envolve um modelo duro de transição: demissão de todos os trabalhadores atuais, com pagamento parcelado das verbas rescisórias, seguida de um processo de recontratação escalonada. O plano prevê a recontratação de 210 trabalhadores a partir de março e de outros 240 a partir de junho, caso as negociações avancem.
Plano tenta destravar retomada após anos de salários atrasados
A dívida trabalhista acumulada é um dos principais entraves do processo. De acordo com o sindicato, os trabalhadores somam 34 meses de salários em atraso, além de multas, verbas rescisórias e outros direitos. A negociação em curso tem prazo estimado para ser concluída até o fim de fevereiro, o que define se a proposta sairá do papel ou se a crise se prolongará.
A Avibras, considerada a maior indústria bélica do Brasil, foi fundada em 1961 por engenheiros do ITA e tem sede em Jacareí, com forte impacto histórico e econômico em toda a região do Vale do Paraíba. A empresa entrou em recuperação judicial em março de 2022, alegando dívidas de cerca de R$ 600 milhões, e enfrentou uma greve que ultrapassou mil dias de paralisação ao longo de 2024 e 2025.
Retomada ainda depende de acordos e confiança mínima
Em agosto de 2025, a empresa anunciou a entrada de um novo acionista majoritário, que assumiu a condução do processo de reorganização, incluindo a revisão de relatórios financeiros e a tentativa de construir um novo acordo coletivo. O plano de recuperação judicial já havia sido aprovado em maio do ano passado, mas sua execução prática esbarrou na falta de consenso com os trabalhadores e na escassez de recursos imediatos.
A Avibras não se manifestou oficialmente após a assembleia, mas o espaço segue aberto para posicionamento. Enquanto isso, o cenário permanece frágil: a proposta aprovada não garante estabilidade, nem a quitação integral das dívidas, mas representa, para parte dos trabalhadores, a primeira sinalização concreta de retomada após anos de estagnação.
A decisão da assembleia não encerra a crise. Apenas desloca o problema para uma nova fase, em que negociação, capacidade financeira real e confiança mínima entre empresa e trabalhadores serão testadas sob pressão.
Foto de capa: Divulgação
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