São José dos Campos se prepara para viver, neste domingo (25), um daqueles rituais que resistem ao tempo e mantêm viva a memória popular. A 28ª Chegada das Bandeiras reunirá 14 Folias de Reis de diferentes cidades do Vale do Paraíba, em um encontro que simboliza o encerramento oficial do Ciclo de Natal e o fechamento do presépio do museu.
A celebração acontece no Museu do Folclore Angela Savastano, no Parque da Cidade, e deve atrair moradores, devotos, pesquisadores e visitantes ao longo de todo o dia, das 9h às 17h. Mais do que um evento, a Chegada das Bandeiras é uma vivência coletiva que mistura fé, música, tradição e pertencimento.
Um ritual que atravessa gerações
A Chegada das Bandeiras marca o momento em que as folias retornam simbolicamente do giro feito durante o período natalino. As bandeiras, carregadas de significados, são encostadas, reunidas e benzidas, encerrando um ciclo que começa no nascimento do Menino Jesus e termina com a visita dos Reis Magos.
Às 15h, está prevista a celebração religiosa, conduzida pelo padre Robert José Ribeiro, da Paróquia São Sebastião, da Vila Industrial, momento considerado o ápice espiritual do encontro. Antes e depois, o público poderá acompanhar de perto as cantorias, os toques, os trajes e a movimentação das companhias.
O presépio que guarda histórias de família
O evento também marca o fechamento do presépio do museu, montado pela contramestre da Folia de Reis do Mestre Zé Mira, Soynaara Maria Faria Araújo Pires de Morais, de 58 anos, natural de Arapeí. O trabalho carrega uma herança familiar que atravessa gerações.
“Aprendi a montar presépio com a minha mãe, que por sua vez aprendeu com a minha avó”, contou Soynaara, em um relato que resume o espírito da cultura popular: conhecimento passado de mão em mão, de casa em casa, de tempo em tempo.
Desde a abertura, no dia 7 de dezembro, o presépio já recebeu mais de mil visitantes, confirmando o interesse do público por manifestações que dialogam com identidade, memória e tradição.
Folias que mantêm a tradição viva
Participam da Chegada das Bandeiras companhias de São José dos Campos, Caçapava, Jacareí, Paraibuna e Taubaté, formando um mosaico cultural que representa diferentes estilos, histórias e linhagens da Folia de Reis no Vale do Paraíba.
São José dos Campos concentra o maior número de grupos participantes, mas a presença regional reforça o caráter coletivo e integrador do encontro, que transforma o museu em um grande território simbólico da cultura popular.
O Museu do Folclore é um espaço mantido pela Fundação Cultural Cassiano Ricardo, com gestão do CECP (Centro de Estudos da Cultura Popular). Desde 1997, o local atua como referência na preservação, valorização e difusão das manifestações populares da região.
Foto de capa: Divulgação
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