O crime não pede licença, mas os números costumam pedir contexto, e é aí que muita análise morre antes de nascer. O recorte municipal de São José dos Campos no painel da Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo, comparando 2025 com 2024 no mesmo padrão mensal exibido, mostra uma cidade com duas narrativas simultâneas: de um lado, roubos em queda expressiva e uma melhora relevante nos indicadores ligados ao trânsito; do outro, sinais que incomodam, porque apontam para o que é mais difícil de “comemorar” em manchete: alta de homicídio doloso e avanço de estupro de vulnerável.
Roubos desabam, furtos recuam pouco
No miolo do que mais afeta a sensação diária de segurança, São José aparece com um recuo que chama atenção. O grupo “roubo” cai de 959 em 2024 para 573 em 2025, uma redução de cerca de 40%. O roubo de veículo, que costuma ser termômetro de quadrilha e oportunidade, desce de 143 para 82, uma queda de aproximadamente 43%. Roubo de carga também recua, de 6 para 5. Siga o @diariodesaojose.com.br no Instagram.
Já no universo dos furtos, o alívio é mais moderado. Furto sai de 5.241 para 4.940, queda de cerca de 6%. Furto de veículo diminui de 724 para 659, recuo próximo de 9%. Ou seja, a cidade melhora no crime com violência e ameaça, mas ainda convive com um volume alto de subtração “silenciosa”, aquela que não vira sirene, só vira boletim.
Violência letal: menos latrocínio, mais homicídio
Aqui mora a contradição que ninguém gosta. O dado bom existe: latrocínio cai de 2 para 1, e o número de vítimas em latrocínio também vai de 2 para 1. Além disso, o que o painel classifica como homicídio culposo por acidente de trânsito recua de 53 para 39, redução de cerca de 26%, e as lesões corporais culposas por acidente de trânsito caem de 921 para 609, queda por volta de 34%. É um bloco inteiro apontando melhora em mortes e lesões associadas ao trânsito.
Só que, ao mesmo tempo, o indicador mais pesado sobe. Homicídio doloso vai de 23 (2024) para 26 (2025), alta de cerca de 13%. E o dado de vítimas em homicídio doloso salta de 23 para 29, aumento aproximado de 26%. Isso sugere, com frieza estatística, que não é apenas “mais ocorrência”, é também mais gente morrendo.
As tentativas de homicídio também crescem: de 43 para 51, alta de cerca de 19%. E, no campo das agressões, há queda leve em lesão corporal dolosa, de 2.144 para 2.046 (aprox. -5%), com redução ainda maior em lesão corporal culposa – outras, de 26 para 17 (aprox. -35%). Dá para ler assim: melhora em parte do cotidiano violento, piora no que é irreversível. Entre agora no canal oficial do Diário no Whatsapp e receba notícias em tempo real.
No recorte sexual, outro incômodo aparece com clareza. O total de estupro sobe de 176 para 188 (aprox. +7%). Dentro desse total, o painel mostra estupro caindo de 56 para 43 (aprox. -23%), mas estupro de vulnerável crescendo de 120 para 145 (aprox. +21%). É o tipo de número que não aceita maquiagem retórica.
Foto de capa: Divulgação









