O verão mal começou e a pergunta já circula nos grupos de moradores, comerciantes e síndicos do Litoral Norte: vai ter água no Ano Novo? A Sabesp afirma que sim. O Governo de São Paulo garante que sim. O investimento anunciado, de R$ 470 milhões só no Litoral Norte, tenta convencer que sim. Ainda assim, em cidades como Caraguatatuba, Ubatuba, Ilhabela e São Sebastião, a dúvida não é alarmismo, é histórico. Siga o @diariodesaojose.com.br no Instagram.
A promessa oficial é de um sistema mais robusto para enfrentar a temporada 2025/2026, quando a população da região pode mais do que triplicar. Novos reservatórios, ampliação de redes de água e esgoto e obras estruturais fazem parte do pacote apresentado como resposta a um problema que se repete ano após ano: consumo fora da curva, pressão instável e bairros inteiros dependendo da normalização “gradual”.
Em Ubatuba, o reservatório do Perequê-Mirim passou a ser citado como símbolo dessa virada, com capacidade de armazenamento suficiente para aliviar os horários de pico. Em Caraguatatuba, a estratégia envolve reforço operacional e monitoramento de áreas historicamente mais frágeis do sistema. No papel, a engrenagem parece ajustada.
Quando o verão aperta, o sistema sente
O problema é que o Litoral Norte já ouviu esse discurso antes. Basta uma sequência de dias quentes, um feriado prolongado ou uma falha pontual para o sistema entrar em estresse. E quando isso acontece, a resposta costuma ser conhecida: baixa pressão durante o dia, falta d’água à noite e caminhão-pipa como solução emergencial.
Em Ilhabela, a situação chegou ao ponto de a própria Prefeitura cobrar publicamente a normalização do abastecimento, reação que raramente ocorre sem pressão popular acumulada. Em Caraguatatuba, reuniões de alinhamento entre município e Sabesp às vésperas da virada do ano deixam claro que o risco não é hipotético, é operacional. Em Ubatuba, moradores voltaram a relatar interrupções prolongadas e oscilação no fornecimento justamente no início da alta temporada.
Nada disso é novidade. É o roteiro clássico do verão no Litoral Norte. Entre agora no canal oficial do Diário no Whatsapp e receba notícias em tempo real.
Investimento existe. Confiança, nem tanto
O governo estadual associa a antecipação das obras ao novo modelo de gestão da Sabesp e à meta de universalização do saneamento até 2029. O argumento é de que o sistema está mais preparado do que nunca. O contraditório vem da experiência concreta de quem vive a região: investimento ajuda, mas não apaga gargalos estruturais, nem muda de uma hora para outra a lógica de uma rede que opera no limite sempre que o litoral lota.
No fim, a aposta está feita. R$ 470 milhões em obras contra décadas de verões problemáticos. O Ano Novo será menos um teste de comunicação e mais um teste brutal de realidade. Porque no Litoral Norte, promessa não mata sede. Quem decide se vai faltar água é a torneira, não o anúncio.
Foto de capa: Divulgação









