O Hospital Municipal Dr. José de Carvalho Florence, em São José dos Campos, encerra 2025 com números que impressionam até para padrões de grandes centros urbanos. A unidade deve fechar o ano com quase 30 mil internações, uma média mensal de cerca de 2.450 pacientes, consolidando-se como um dos principais pilares da assistência hospitalar do Vale do Paraíba. Siga o @diariodesaojose.com.br no Instagram.
Mais do que volume, os dados revelam o perfil da unidade. Mais de 71% das internações tiveram origem no Pronto-Socorro, que registrou média mensal superior a 21 mil atendimentos. O hospital absorveu, mês a mês, centenas de casos de trauma e mais de mil atendimentos ortopédicos, além de uma produção cirúrgica constante, próxima de mil procedimentos mensais, incluindo cirurgias eletivas e ambulatoriais.
A maternidade manteve ritmo elevado, com média de 410 partos por mês e indicadores de qualidade elevados, como o índice de Apgar adequado em 98,8% dos recém-nascidos. O ambulatório de especialidades realizou cerca de 7.500 atendimentos mensais, apoiado por uma estrutura diagnóstica robusta, com milhares de exames de imagem e mais de 80 mil análises laboratoriais por mês.
Os números mostram um hospital que opera no limite da complexidade. Hemoterapia, hemodiálise, nutrição clínica e logística hospitalar funcionam em escala industrial, com dezenas de milhares de refeições produzidas e mais de 80 toneladas de roupas processadas mensalmente. Trata-se de uma engrenagem pesada, contínua e cara.
Referência regional, conta municipal
É justamente aí que o balanço de 2025 expõe um ponto sensível. Embora seja um hospital municipal, o HM atende uma demanda que extrapola as fronteiras de São José dos Campos. Casos de média e alta complexidade chegam de diferentes cidades da região, pressionando uma estrutura financiada majoritariamente pelo orçamento local.
A unidade é gerenciada pela SPDM e pertence à Prefeitura de São José dos Campos, mas opera, na prática, como hospital de referência regional. Essa condição, embora reconhecida na rotina assistencial, não se reflete na mesma proporção no financiamento.
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O volume de internações, cirurgias, partos e exames evidencia que o HM cumpre um papel que, em tese, deveria estar amparado por maior participação dos governos estadual e federal. A lógica do Sistema Único de Saúde prevê cooperação entre entes, especialmente quando um equipamento municipal assume complexidade e demanda regional. Na prática, porém, a pressão recai de forma desproporcional sobre o caixa da Prefeitura.
Números que pedem revisão do pacto
Encerrar o ano com quase 30 mil internações não é apenas motivo de orgulho administrativo. É também um sinal de alerta. A saúde pública não se sustenta apenas com eficiência operacional. Alta complexidade exige financiamento compatível, previsível e compartilhado.
Enquanto os números crescem, a pergunta que fica não é se o Hospital Municipal dá conta do recado, porque os dados mostram que dá. A pergunta correta é até quando São José conseguirá bancar sem maiores aportes federais e estaduais uma estrutura que atende muito além de seus próprios moradores.
Sem reforço consistente de recursos estaduais e federais, o risco não é colapso imediato, mas desgaste progressivo. E, em saúde, desgaste costuma cobrar a conta no pior momento.
Foto de capa: Divulgação









