Quem sai de São José dos Campos rumo ao Litoral Norte de São Paulo precisa atualizar o roteiro mental de verão. A imagem clássica da caixa de som ligada na areia, comum durante anos, passou a ser tratada como infração administrativa nas principais cidades da região. Ubatuba, São Sebastião, Ilhabela e Caraguatatuba adotam regras claras que proíbem o uso de equipamentos sonoros nas praias, com multas elevadas e possibilidade de apreensão imediata.
A medida não é pontual nem recente. Ela faz parte de um movimento contínuo de ordenamento do uso das praias, especialmente em períodos de alta temporada, quando o fluxo de turistas se multiplica e os conflitos de convivência se intensificam. O objetivo declarado pelas prefeituras é preservar o sossego, reduzir impactos ambientais e evitar disputas entre frequentadores que buscam experiências diferentes no mesmo espaço público. Siga o @diariodesaojose.com.br no Instagram.
Em Ubatuba, o uso de caixas de som é proibido em qualquer praia do município. Quem descumpre a norma pode receber multa de até R$ 5 mil e ter o equipamento apreendido. A fiscalização costuma ser reforçada em feriados prolongados e no verão, quando a cidade recebe turistas em número muito superior à sua população fixa.
Já em São Sebastião, a regra também é de tolerância zero. As penalidades variam entre R$ 5 mil e R$ 10 mil, dependendo da gravidade da infração, reincidência ou realização de festas sem autorização. Eventos improvisados, com som amplificado e aglomeração, são alvo direto da fiscalização municipal.
Em Ilhabela, o uso de caixas de som nas praias é proibido e pode resultar em multa de até R$ 3 mil. Além da penalidade financeira, o infrator pode ser retirado do local e ter o equipamento apreendido, especialmente em áreas mais sensíveis do ponto de vista ambiental e turístico. Entre agora no canal oficial do Diário no Whatsapp e receba notícias em tempo real.
Já Caraguatatuba adota uma das punições mais objetivas: a proibição é clara, com multa em torno de R$ 2 mil e apreensão do aparelho. A cidade tem reforçado ações educativas, mas não descarta autuações quando há resistência em desligar o equipamento.
Ordem pública, não guerra ao lazer
Apesar das críticas recorrentes nas redes sociais, as administrações municipais sustentam que a proibição não é uma cruzada contra o lazer, mas uma tentativa de equilibrar o uso coletivo da praia. O som alto, quando imposto a terceiros, costuma gerar conflitos, reclamações de moradores, impactos à fauna e disputas entre grupos com expectativas diferentes sobre o mesmo espaço.
Para quem frequenta o litoral vindo do Vale do Paraíba, o recado é simples: ouvir música com fone de ouvido segue liberado, assim como aproveitar a praia dentro das regras locais. A caixa de som, porém, deixou de ser acessório de verão e passou a ser risco concreto de prejuízo financeiro e dor de cabeça.
Informação evita multa
Em um litoral cada vez mais regulado, desconhecer a regra não impede a autuação. As cidades do Litoral Norte vêm deixando claro que a convivência na praia passa por limites, e que o silêncio relativo também é parte da experiência turística que elas querem preservar.
Para o turista joseense, adaptar o hábito é mais barato do que discutir com a fiscalização à beira-mar.
Foto de capa: Divulgação









