Negócios

70% das empresas fecham por falta de inovação, aponta estudo

Levantamento feito com 200 companhias brasileiras revela que a irrelevância pesa mais que a falta de caixa. Estudo é assinado pela SME The New Economy

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Levantamento aponta que irrelevância pesa mais que a falta de caixa. Especialistas indicam caminhos práticos para empresas sobreviverem na nova economia.

Um dado que deveria preocupar qualquer empresário brasileiro: segundo pesquisa inédita da SME The New Economy, sete em cada dez empresas que fecham suas portas no país não quebraram por falta de dinheiro, mas por falta de inovação. Em outras palavras, a maior parte delas torna-se irrelevante para o mercado, incapaz de acompanhar as mudanças de comportamento do consumidor e a velocidade da chamada Nova Economia.

“O empresário brasileiro precisa entender que inovar não é luxo, é sobrevivência. A Nova Economia cobra relevância todos os dias, e quem não acompanha o ritmo fica para trás”, afirma Theo Braga, CEO da SME The New Economy.

Braga é uma das vozes mais influentes quando o assunto é transformação empresarial. À frente da SME, organização que em apenas cinco anos já impactou mais de 100 mil empresários e ajudou a impulsionar grandes companhias como 99, Amazon, Ifood, Eletromidia, Samsung, BMG e SBT, o executivo defende que sobrevivência não é uma questão de sorte, mas de método. A empresa que ele lidera se tornou referência em formação e consultoria na nova economia, com programas como Jornada Equity, Jornada Leaders, Jornada Tech & IA e Jornada Capital.

Inovação além do modismo

A lógica é direta: quem não se adapta, desaparece. Os números confirmam que 6 em cada 10 negócios fecham em até cinco anos. Mas, no cenário atual, não basta abrir uma loja online ou criar um aplicativo: inovação exige cultura, estratégia e constância.

Segundo o levantamento, muitas empresas confundem crescimento com expansão desordenada e, na ânsia de manter o caixa positivo, acabam negligenciando processos, experiência do cliente e modelos de negócio capazes de sustentar a operação a longo prazo.

“O consumidor muda rápido e exige que as empresas acompanhem essa transformação. Crescer é profissionalizar, diversificar e se preparar para atrair capital, talentos e oportunidades. É essa a fronteira que separa companhias que permanecem vivas e competitivas das que viram estatística”, reforça Braga.

Dez caminhos para não virar estatística

O estudo não se limita ao diagnóstico. A SME organizou dez passos práticos para garantir relevância, sustentabilidade e futuro. Não como receitas prontas, mas como princípios de gestão que se adaptam a qualquer porte ou setor.

O primeiro deles é colocar o cliente no centro. Sem entender profundamente quem consome, nenhuma estratégia de inovação sobrevive. Isso vai além de pesquisas ocasionais: significa ouvir continuamente, testar hipóteses e ter coragem para mudar quando o mercado sinaliza novas demandas.

Outro ponto é não depender apenas do produto, mas transformar consumo em experiência. O exemplo da Cacau Show, que criou lojas imersivas, e da Bauducco, que reinventou o panetone em torno de ambientes de convivência, mostra que até marcas tradicionais podem ampliar a relação emocional com o cliente.

Adaptar-se aos novos canais é outro fator crucial. Marcas como a Ambev entenderam que conveniência é parte da experiência e criaram soluções como o Zé Delivery, levando a cerveja gelada em minutos para o consumidor. Empresas que ignoram os canais digitais acabam invisíveis, mesmo com boa reputação offline.

Inovar não é apenas tecnologia. Significa rever modelos de negócio, redesenhar processos internos e até repensar a forma de entregar valor. Startups que quebram por falta de mercado provam que ter um aplicativo bonito não é suficiente — é preciso validar hipóteses e construir algo que realmente atenda à demanda.

O estudo também reforça a importância de cultivar uma cultura interna que tolere erros e incentive novas ideias. Ambientes engessados sufocam a inovação e empurram empresas para fórmulas ultrapassadas.

Diversificação de receitas aparece como blindagem contra crises. Negócios que dependem de uma única linha de faturamento ficam vulneráveis a qualquer oscilação do mercado. Assinaturas, parcerias e novos produtos são formas de reduzir riscos e abrir horizontes.

Capacitação contínua, uso inteligente de dados e visão de longo prazo completam a lista. Empresas que investem em formação da equipe, analisam métricas de desempenho e constroem ativos intangíveis — como marca forte e reputação — têm mais chances de atravessar ciclos econômicos sem perder relevância.

Mais que caixa, relevância

O Diário de São José analisou o estudo e reforça: não se trata apenas de sobreviver a um trimestre difícil ou de manter o fluxo de caixa. A chave para a longevidade está na capacidade de se reinventar diante das mudanças de comportamento. Negócios que se apegam ao imediato e confundem resultado com caixa rápido tendem a desaparecer. Os que entendem que resultado também é valuation, reputação e cultura inovadora, tornam-se parte da minoria que prospera.

Se a velha economia cobrava eficiência operacional, a nova cobra relevância. E, nesse jogo, inovar não é opção — é condição de sobrevivência.

Foto de capa: Divulgação

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Redação do Diário de São José

Núcleo editorial responsável pela produção, curadoria e edição de conteúdos do Diário de São José. Jornalismo local, independente e analítico, feito para quem vive, trabalha e movimenta São José dos Campos. Aqui, a notícia vem com contexto, olhar crítico e compromisso com o que realmente importa para a cidade.

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