Bastidores

Zé Luis (PSD) defende revisão do IPTU com foco social e rebate oposição

Líder da base afirma que projeto está amadurecido, defende limite nos aumentos e promete ampliar isenções; oposição fala em atropelo, mas parlamentar rebate emendas apresentadas

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Zé Luis (PSD) defende revisão do IPTU com foco social e rebate oposição

O líder da base governista na Câmara de São José dos Campos, vereador Zé Luis (PSD), afirmou em entrevista exclusiva ao Diário de São José que a revisão da Planta Genérica de Valores (PGV), que serve de base para o cálculo do IPTU, é uma obrigação legal e não pode mais ser adiada. Segundo ele, o projeto enviado pela Prefeitura está “amadurecido” e deve ser votado até meados de setembro, prazo final determinado pela legislação.

“Quando você se candidata tanto para prefeito quanto para vereador, sabe que vai enfrentar essa matéria. Ela volta de quatro em quatro anos. É um dia que todos têm que se preparar, e chegou esse dia”, disse.

“O que é melhor para a cidade agora é essa revisão”

Zé Luis procurou dar o tom de responsabilidade ao debate. Para ele, a atualização não é apenas um aumento de imposto, mas um processo necessário para corrigir distorções que faziam imóveis de perfis muito diferentes pagarem valores semelhantes.

“O que é melhor para a cidade agora é essa revisão, com um olhar social. O estudo está amadurecido, e vamos avançar principalmente nas isenções, para proteger os que mais precisam e os pequenos empreendedores”, afirmou.

Segundo o parlamentar, os limitadores incluídos pela Prefeitura impedem aumentos abusivos. “Não haverá imóvel de padrão 1 que pague mais de 15% em 2026, mesmo que a valorização tenha sido maior. Esses limitadores é que importam.”

Ele destacou ainda que a base governista teve papel direto em incluir critérios sociais no projeto. “Esse olhar social foi construído junto com os vereadores. Não é uma medida fria, mas um trabalho político para proteger os mais vulneráveis.”

Oposição na linha de fogo

A oposição, por outro lado, tenta desgastar o governo com uma enxurrada de emendas ao texto. Zé Luis não poupou críticas: “Muitas das emendas estão incorretas do ponto de vista jurídico. Eu alertei a oposição de que a melhor forma era encaminhar as propostas ao Executivo, porque esse é um projeto que tem que nascer lá. Mas insistiram. Infelizmente, juridicamente não é possível.”

Nos bastidores, a oposição tem apostado no discurso de atropelo. A vereadora Amélia Naomi (PT), por exemplo, chegou a dizer que o texto poderia ter de voltar ao Executivo por falhas técnicas. O prefeito Anderson Farias, na ocasião, rebateu a fala da vereadora: “Não vejo erros no projeto. O que existe é retórica política. Se ajustes forem necessários, o Executivo está disposto a fazer. O que não dá é para tentar deslegitimar um processo que precisa ser aprovado por lei dentro do prazo.”

Galeria cheia, discurso afinado

A última sessão da Câmara foi marcada pela presença de militantes de direita e esquerda, que lotaram a galeria. O clima era de pressão. Zé Luis buscou se colocar acima do embate.

“Cumprimentei os dois lados. Democracia é isso, respeitar todas as partes. Depois, cada um coloca o que acredita ser o melhor para a cidade”, disse.

O vereador reconhece que ainda há pontos para diálogo, mas considera o debate consolidado. “Alguns segmentos ainda pedem mais conversa, mas não dá para eternizar. Temos até setembro e vamos encontrar o melhor projeto.”

Inevitavelmente, a votação da revisão da Planta Genérica de Valores do município acontecerá no dia 11, 18 ou 25, quinta-feira, dia de votação. Com os debates se acalorando ainda mais, a expectativa é a de que tanto nas sessões de terça-feira, quanto nas de quinta, a galeria do Legislativo esteja cada vez mais lotada.

A mesma expectativa é para o rito, se será pautado ou incluído na pauta durante a sessão. Nos bastidores, a conta política já é conhecida: a base governista costuma garantir vitórias pelo placar de 13 a 7, reflexo de uma sustentação sólida ao prefeito Anderson Farias (PSD). Ainda assim, a oposição tem assumido um papel mais barulhento, tanto dentro do plenário quanto nas redes sociais, onde tenta capitalizar o desgaste do “pacotão” do IPTU ao apontar eventuais falhas técnicas, pontos mais polêmicos e impactantes do próprio projeto, impactos sociais e divergências políticas.

Esse embate faz com que cada um dos “20 votos” (considerando que o presidente da Casa, Roberto do Eleven (PSD), embora se alie ao governo, não registra o voto) em jogo ganhe peso simbólico diante da opinião pública. Para os governistas, significa reafirmar a confiança na gestão e defender o discurso de modernização e justiça social. Para a oposição, trata-se de marcar posição como voz crítica, transformando o voto em um recado político. O resultado é que, mais do que números frios de votação, o placar tende a ser lido como um termômetro da confiança popular no governo e em seus aliados — um fantasma que deve rondar cada vereador no momento de apertar o botão.

Carlo Acutis e Moção de Louvor

Ainda na entrevista exclusiva, mas fora do calor da pauta tributária, Zé Luis também comentou que apresentou uma Moção de Louvor pela canonização de Carlo Acutis, conhecido como “santo da internet” e primeiro millennial elevado aos altares pela Igreja Católica.

A moção é um instrumento formal utilizado pela Câmara para registrar homenagens e reconhecimentos em nome da cidade. “Carlo influenciou milhões de pessoas aos 15 anos e deixa um legado de boas práticas no mundo digital. Como católico, celebro esse exemplo que vai inspirar muitos jovens”, afirmou o vereador.

Aprovada, a homenagem ficará registrada nos anais da Câmara de São José, unindo fé e política em um gesto que reflete tanto a devoção pessoal do parlamentar quanto o reconhecimento oficial do Legislativo.

Escrito por
Redação do Diário de São José

Núcleo editorial responsável pela produção, curadoria e edição de conteúdos do Diário de São José. Jornalismo local, independente e analítico, feito para quem vive, trabalha e movimenta São José dos Campos. Aqui, a notícia vem com contexto, olhar crítico e compromisso com o que realmente importa para a cidade.

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